Rede de EscolasA holografia em escolas permite a produção de hologramas ao nível do ensino básico e secundário. Deste modo, é possível proporcionar a sensação de criar um produto final, com importantes aplicações na sociedade, utilizando tecnologia actual baseada na aplicação de fenómenos científicos que fazem parte dos currículos da disciplina de Ciências Físico-Químicas.Com o objectivo bem definido de produzir um holograma, surgem logo dois problemas para resolver: Como começar a trabalhar em holografia? e Como fazer um holograma? Tendo em conta situações reais e resultados obtidos em escolas, podemos afirmar que é possível trabalhar em holografia nas escolas e que este tipo de actividades produz resultados interessantes quer ao nível dos hologramas produzidos quer ao nível do ensino/aprendizagem da óptica. Logo, os dois problemas colocados inicialmente poderão ser resolvidos da melhor maneira e poderão originar uma dinâmica positiva na escola. Este processo deve envolver alunos, num papel de investigadores e professores, num papel de orientadores. Para tal deve existir um meio de apoio e sugestões para os professores envolvidos, sobre o tópico holografia. Para se trabalhar em holografia experimental é necessário possuir equipamento, materiais consumíveis e condições específicas. A primeira etapa na implementação da holografia na escola é conseguir cumprir tais condições e adquirir os consumíveis e equipamentos. O local de trabalho é essencial, pois é necessário uma câmara escura para se proceder ao registo de hologramas. Neste sentido a escola deverá disponibilizar um espaço onde se possa construir um Laboratório de Holografia. A aquisição do equipamento e material vai depender das verbas existentes. Com o intuito de tornar o sistema holográfico o mais económico possível, pode-se recorrer à utilização de equipamentos alternativos, de fácil construção, a partir de materiais do dia-a-dia. Ao mesmo tempo, esses recursos tornam a implementação do laboratório de holografia mais interdisciplinar, mais interessante e mais pessoal, originando um cuidado especial pelo equipamento, por parte do grupo de alunos que se envolveu na sua construção. A caixa de areia apoiada em pneumáticos devido às suas características, será a solução mais económica para um sistema isolado de vibrações. No que respeita ao tipo de laser a utilizar, a escolha deverá recair num laser de He-Ne ou semicondutor, de potência igual ou superior a 1 mW. A eventual utilização de potências mais elevadas deverá permitir uma optimização significativa das configurações experimentais e diminuir significativamente os tempos de exposição. Para além do equipamento, há ainda a necessidade de adquirir alguns componentes ópticos, nomeadamente, lentes e espelhos. As objectivas de microscópio são uma hipótese a considerar, uma vez que já existem na maior parte dos laboratórios de física e permitem uma expansão adequada dos feixes laser. A utilização de espelhos permite compactar o sistema. Para evitar reflexões secundárias, devem ser utilizados espelhos com revestimento na primeira superfície. Cada componente óptico necessita de um suporte. Estes podem construir-se a partir de tubos PVC. O suporte para o filme holográfico pode ser feito em madeira, com um sistema de “sandwich” para filme. As soluções para o processamento químico da emulsão (revelador e branqueador) podem ser adquiridas numa loja comercial ou podem ser preparadas no laboratório de química da escola a partir dos respectivos compostos químicos (ver tabela). A opção de preparar as próprias soluções químicas possui várias vantagens: é mais económica, origina melhores resultados nos hologramas, é mais didáctica e mais interdisciplinar. Finalmente, o(a) filme/placa holográfico(a) pode ser adquirido(a), numa loja comercial (Slavich), em diversos formatos e suportes, nomeadamente, rolo ou placa, de diversos tamanhos. Como fazer um Holograma? Consoante se vai registar um holograma de reflexão ou um holograma de transmissão, assim a respectiva configuração experimental. Antes de se iniciar a montagem da configuração experimental desejada, convém realizar os testes preliminares de modo a verificar as condições existentes no sistema holográfico. Para se fazer uma estimativa do tempo de exposição é necessário medir a potência luminosa que chega ao suporte holográfico e recorrendo ao valor da sensibilidade da emulsão, fornecido pelo fabricante, pode-se calcular uma estimativa para o valor do tempo de exposição necessário, através da equação: P=E/Δt A sensibilidade das emulsões PFG-01 é de 100 µJ/cm2, logo o tempo de exposição é dado por: Δt=E/P Onde P representa a potência luminosa que chega ao suporte holográfico (em µW/cm2) e T representa o tempo de exposição. Procede-se depois a alguns testes, de modo a exercitar a técnica e optimizar o tempo de exposição. Finalmente, faz-se o registo do holograma, com todo o sistema pronto, expondo o filme/placa holográfico(a) durante o tempo que foi optimizado. Durante a exposição tem que existir o máximo de silêncio e de estabilidade. |
